ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO

Notas , perguntas , bibliografias , estudos sobre a historia do comunismo em Portugal e no mundo
E-mail : jppereir@mail.telepac.pt

29.6.03

CITAÇÕES

Irene Pimentel suscita a questão de saber como citar os Estudos. Há vários critérios estandardizados de citações para publicações em papel e em linha. Eu utilizo esta que adaptei ao blogue:

Nome do autor da nota caso esteja assinada ; não estando é de minha autoria e seria assim
[José Pacheco Pereira],
“Título da nota entre aspas, como se fosse num artigo de revista”
Estudos sobre o Comunismo (sublinhado, aqui vai a bold porque não tenho sublinhados)
Endereço URL entre parêntesis (www.estudossobrecomunismo.blogspot.com)
Data da nota.

Qualquer coisa como isto: [José Pacheco Pereira], “De novo sobre a prisão política e o encarceramento - O caso de Cunhal”, Estudos sobre o Comunismo, (www.estudossobrecomunismo.blogspot.com), 21/6/2003

NOTAS BIOGRÁFICAS

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Celeste Santos Gomes
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(1927- Maio 2003)

Militante do PCP desde a clandestinidade, activista do MDM. Depois de 25 de Abril foi membro da Comissão de Moradores do Bairro Novo e da Comissão de Freguesia da Mina do PCP.

Fonte : Avante! , 26/6/2003
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Carlos Nascimento
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(Lisboa, ? – Junho 2003)

Operário fundidor, militante do PCP “há longos anos” e activista operário antes do 25 de Abril. Desenvolveu a sua actividade em Setúbal.

Fonte : Avante! , 26/6/2003

A C.M. DE COIMBRA COMPRA CASA DE JOÃO JOSÉ COCHOFEL


“A Casa do Arco, em Coimbra, que pertencia aos herdeiros do poeta João José Cochofel, passam, após restauro, a edificio sede da futura Casa da Escrita, por decisão da Câmara daquela cidade, que adquiriu o edificio por 750 mil euros. 0 objectivo é fazer ali um local destinado ao acolhimento de escritores e obras literária, a instalação de uma biblioteca, urna fonoteca, bem corno palco da diversos acontecimentos culturais.(…) . Recorde-se que pela casa de Cochofel passaram, dos anos 40 ao 25 de Abril de 1974, numerosos escritores e artistas amigos de João José Cochofel, nomeadamente José Gomes Ferreira, Fernando Lopes Graça, Carlos de Oliveira, Augusto Abelaira e Eduardo Lourenço, que ali conviveram com o proprietário em tertúlias de que há relatos na literatura memorialista portuguesa.”

(Jornal de Letras , 25/6/2003)

28.6.03

PORTUGUESES NA CASA INTERNACIONAL DA CRIANÇA DE IVANOVO

A RTP passou no seu noticiário de 28 de Junho de 2003 uma reportagem sobre a Interdom (Internacionalny Dom , Casa Internacional) escola fundada em 1933 em Ivanovo , a cerca de 400 quilómetros de Moscovo, para acolher os filhos dos militantes comunistas que, ou ficaram órfãos ou tiveram que abandonar os pais envolvidos na vida clandestina ou que estavam presos.
Nessa reportagem refere-se que 12 crianças portuguesas estiveram na escola, entre os quais os filhos de Jaime Serra, José e Maria (que foi professora da escola) , Joaquim Carvalho, e Luís Carlos Machado Lagarto (“Carlos Oliveira”) . No Museu da escola encontra-se uma carta de Álvaro Cunhal que visitou Ivanovo, de Fevereiro de 1974, agradecendo o papel da instituição no apoio aos comunistas portugueses na clandestinidade.

Um filme intitulado “Os filhos de Ivanovo” de autoria de José Serra , um antigo aluno que aí esteve dos sete aos treze anos , produzido pela produtora Duvideo , está a ser realizado por Ivan Dias. O filme já está vendido à televisão pública da Finlândia (Yle Teema) e poderá vir também a ser exibido em Portugal. Nesse filme colabora o violinista Manuel Rocha, da Brigada Vítor Jara, que também estudou música na antiga URSS.

27.6.03

ARQUIVOS DO COMINTERN

José Milhazes no Público actualiza a notícia que aqui demos na nota "Arquivos do Comintern e Projecto Incomka" , sobre a colocação de uma parte dos arquivos da Internacional Comunista na rede.

22.6.03

NOTAS BIOGRÁFICAS

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António João Caeiro
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(Aldeia Justa – Grândola, 1927-31/5/2003)

Militante do PCP desde a década de quarenta, participou na luta pelas oito horas de trabalho (1961-2) o que o levou à prisão. Posteriormente emigrou para França, continuando ligado ao PCP. Regressou depois do 25 de Abril continuando a militar na organização de Grândola.

Fonte: Avante ! , 18-6-2003

21.6.03

DE NOVO SOBRE A PRISÃO POLÍTICA E O ENCARCERAMENTO - O CASO DE CUNHAL

Reproduzo aqui a discussão sobre esta matéria que tenho mantido com João Nogueira. No Abrupto e no Socio[B]logue estão as peças fundamentais do debate.


Algumas notas complementares:

1. A questão dos “dois tempos” tinha para mim um duplo sentido. Um, é o da diferente percepção psicológica do tempo prisional e do tempo “exterior”. Temos debatido esta parte. Mas há uma outra dimensão que também estava presente na nota inicial, que deliberadamente não referia Cunhal : o de como, na narrativa da biografia, se compatibiliza um tempo em que acontecia tudo e um tempo em que não acontecia nada. “Nada” não era para ser tomado à letra, mas significava o domínio de rotinas – uma vez descritas, repetem-se sempre e por isso não se prestam a uma narração . Ou seja: como é que se puxa um fio narrativo através de uma contínua e programada repetição de gestos, que em si não tem novidade. A resposta que dou no livro é a óbvia – através do que Cunhal lê, escreve, desenha e pinta na cadeia.

2. O caso de Cunhal é singular e por isso não se pode generalizar, mas também não pode considerar-se como adquirido que, enquanto preso, foi totalmente imune aos efeitos do encarceramento. Bem pelo contrário, alguns desses efeitos podem ser documentados e faço-o no livro: doenças com uma componente psicossomática, traços de depressão, etc.
O principal testemunho de Cunhal da sua passagem pela Penitenciária é o Estrela de Seis Pontas que, como toda a ficção de Cunhal, é puramente autobiográfica. Tudo o resto ou desapareceu, foi cuidadosamente retirado dos arquivos (por exemplo na Penitenciária existem registos herdados de Bocage, mas nada há sobre Cunhal e Galvão, “desapareceu depois do 25 de Abril”), ou está indisponível. Por isso temos que nos ficar pela Estrela, onde existem, como nas Memórias do Cárcere de Camilo, elementos para descrição do mundo prisional que apontam para os efeitos do encarceramento no autor. No entanto, o que é mais interessante no livro é o nítido processo de identificação de Cunhal com os presos comuns.

3. O mesmo se pode dizer dos desenhos, a que dedico grande parte de um capítulo, onde também é nítida a efabulação de uma relação com um mundo exterior que contrasta com a estéril “presença” visual do mundo prisional. Visitei a Penitenciária, refiz os trajectos possíveis de Cunhal dentro da cadeia, olhei da sua cela para fora, e a pobreza e a tristeza de “vistas” é absoluta.

4. Quanto à cela como “espaço de liberdade”, inteiramente de acordo. São os “outros”, como diria Sartre, que são muitas vezes o inferno. Por isso, a cela pode ser o espaço da “solidão desejada”, mas é-o certamente da “solidão indesejada”. É talvez aqui também que a questão da privação sexual se coloca com mais agudeza. Cunhal na Estrela de Seis Pontas retrata a omnipresença da sexualidade efabulada e real na cadeia com bastante rudeza e realismo.

3. Depois há outros efeitos da “dualidade temporal”, que neste caso são relevantes, como seja o atraso ou a ignorância por parte do preso de acontecimentos fundamentais para a sua visão do mundo e, mesmo para a sua estabilidade psicológica. `Tudo indica, por exemplo, que Cunhal só soube durante o seu julgamento da vitória dos comunistas chineses,



ARQUIVOS DO COMINTERN E PROJECTO INCOMKA

Publica-se a nota que John Earl Haynes fez para a lista de discussão H-HOAC, dos estudiosos do comunismo americano, sobre o estado deste projecto , fundamental para toda a história contemporânea do século XX :

COMINTERN E-ARCHIVE CREATED

A number of messages have come in inquiring about the posting COMINTERN E-ARCHIVE CREATED, asking for access details and other matters. Below is an explanation of the project that may answer most of the questions.

The posting was from the Russian press service RIA Novosti and dealt with the final stages of what is generally referred to as the Incomka project.

The Communist International holdings at the Russian State Archive of Socio-Political History (RGASPI) in Moscow have only been open to scholars since 1992. The holdings are massive, somewhere between 20 and 25 million pages and the finding aids (opisi) for the various sections themselves total more than 20,000 pages and are in Russian. Consequently, access to this still only lightly explored archive is not easy.

The International Committee for the Computerization of the Comintern Archive ("Incomka" to the original European partners) undertook a project to facilitate research into the Comintern archive. Begun by the International Council on Archives, its partners are the Russian State Archive of Social-Political History, Federal Archival Service of Russia, Archives of France, Federal Archives of Germany, State Archives of Italy, National Archives of Sweden, Federal Archives of Switzerland, Ministry of Education, Culture and Sport of Spain, Library of Congress of the USA, and the Open Society Archives of Hungary.

The Incomka project has two parts: first, to digitize as images one million pages of the most used and historically significant documents of the Comintern and, second, to digitize the finding aids to Comintern collections at RGASPI into an electronically text-searchable database.

An international committee of historians recommended which sections of the Comintern archive were to be digitized. (I served on the committee.) Entire sections were chosen for digitization, not individual documents. For example, one of the digitized sections is fond (collection) 495, opis
(inventory) 15, the records of the secretariat of Andre Marty, a French Communist leader and member of the Executive Committee of the Communist International (ECCI) in the 1930s. All of the documents in the Marty secretariat are digitized, not a selection of individual documents. RGASPI agreed to the sections recommended by the committee with the exception of the records of four personal secretariats, those of Manuilsky, Piatnitsky, and two Dimitrov collections. These were withheld due to the presence of intelligence agency material in these opisi that Russian security regulations prohibit from public use until declassified, a process that has not yet been completed.

The sections richest in American-related material are included in the opisi chosen for digitization: The American Commission (495-47) and the Anglo-American Secretariat (495-77). Note that this Comintern American material is not the same as RGASPI fond 515 opis 1, the CPUSA collection, that is available on microfilm.

The scanning of the documents was undertaken by RGASPI archivists who also prepared the Russian-language database. The database (designed by a Spanish software firm) is essentially an edited electronic version of the printed RGASPI finding aids allowing computer searches using file descriptors, key words, and personal or organizational names down approximately to the individual file folder (delo) level (not to an individual document level). The database allows rapid location of file descriptions of the entire twenty-million plus pages of the Communist International archive at RGASPI, not just the one-million pages electronically scanned for the Incomka project.

To facilitate international use, Incomka determined that the database was to be electronically searchable in both Cyrillic-alphabet Russian and Latin-alphabet English. The U.S. Library of Congress agreed to be the lead agency for translation of the database with Dr. Ronald D. Bachman, the Library's Polish and East European area specialist, as the supervising linguist. Particularly with personal names, the translation task was a formidable one, where a name in Finnish, French, Chinese or some other language had been transliterated into Russian by a Comintern clerk, sometimes one with limited translation skills, and the Russian translation then being incorporated into the RGASPI finding aid and Incomka data base. To assist with the difficulties of translating the names from Russian into Latin-alphabet English, 167 scholars from 54 countries were called upon to review and correct when possible misspellings and translation garbles with names.

The Incomka project is now in its final stages. At the end of June the final product will be installed in computer work stations at RGASPI with installation at the partner institutions following. Installation at the Library of Congress is currently scheduled for the end of September 2003. The Incomka product will initially be accessible only at workstations at the partner institutions, an RGASPI requirement. RGASPI is negotiating with web providers to make the Incomka project available on a subscription/fee basis via the web, but that is for the future. Until the web product is available, the Incomka product will be available for free but only at a workstation in each partner institution.”

20.6.03

PUBLICAÇÕES SOBRE O COMUNISMO

Saiu a edição de 2003 do Jahrbuch für Historische Kommunismusforschung , uma das principais publicações sobre a história do movimento comunista. Segue-se o índice:


Abhandlungen

• Norman M. Naimark: Stalins Tod und die internationale Politik

• Moshe Lewin: Ego and Politics in Stalin's Autocracy

• Helmut Fleischer: Auf die Spitze eines Eisbergs getrieben: Philosophie als Organ der ideologischen Regression

• Nataliya I. Yegorova: The Evolution of Stalin's Postwar Perceptions of External Threat

• Barry McLoughlin: Stalinistische Rituale von Kritik und Selbstkritik in der internationalen Lenin-Schule, Moskau, 1926-1937

• Hans-Dieter Döpmann: Stalin und die Russische Orthodoxe Kirche

• Katia Kuhn: Von der Gesellschaft zum Studium der Kultur der Sowjetunion zur Gesellschaft für Deutsch-Sowjetische Freundschaft

• Corey Ross: Zwischen politischer Gestaltung und sozialer Komplexität - Überlegungen zur Debatte über die Sozialgeschichte der DDR

• Ryszard Nazarewicz: Polnische Aspekte in Dokumenten der Komintern

Dokumentationen

• Bernhard H. Bayerlein: Nikolaj Krestinskij, der Šachty-Prozeß und die deutsch-sowjetischen Beziehungen

• Horst Dähn: "Im Ernst-Thälmann-Werk sind die Streikenden über die Mauern gestiegen" - Die Rolle des Sekretariats der SED-Bezirksleitung Magdeburg am 17. Juni. 1953

Forum

• Werner Müller: Auch nach 1990: Zweierlei Geschichtsschreibung?

Forschungsberichte

• Fridrikh Firsov: Some Critical Notes on Recent Publications on Comintern and Soviet Politics

• Avgust Lešnik: Kommunismusforschung in Slowenien?

Biographische Skizzen

• Ottokar Luban: Fanny Thomas Jezierska (1887-1945) - Von Rosa Luxemburg zu Gramsci, Stalin und August Thalheimer - Stationen einer internationalen Sozialistin

• Dietmar Simon: Werner Kowalski - Leben, Flucht und Tod eines kommunistischen Funktionärs

Sammelrezensionen

• Hermann Weber: Stalin und die Folgen

• Matthias Uhl: Biographisches zur Führungsspitze des NKVD während der Großen Säuberungen

PRISÃO POLÍTICA E ENCARCERAMENTO

Embora esta discussão tenha tido lugar em Abrupto, penso ser de interesse para os estudiosos do comunismo.

DOIS TEMPOS

Estou a escrever um livro (talvez acabe estas férias) que tem um problema complicado a resolver. É um livro sobre um homem que está preso onze anos, cuja vida no mundo carcerário é controlada ao milímetro, e cujos gestos possíveis e permitidos representam uma rotina imposta à força. Apitos, acender e apagar de luz, horários impiedosos. A prisão é, nos primeiros anos, uma materialização arquitectónica de uma ideia filosófica : o Panopticon de Bentham. Feita para tudo ser visto a partir de um olho central, o local último do poder. A “estrela de seis pontas”. Depois de quase um ano, em que não foi autorizado a fazer nada, o homem lê, estuda, escreve, desenha e pinta.
Cá fora há uma guerra, fria , mas guerra. Acontece tudo. O tempo é solto, é rápido, é o tempo da modernidade, acelerado. Como juntar num mesmo movimento tanta imobilidade e tanta rapidez?

DOIS TEMPOS 2

Os “dois tempos” da minha nota anterior eram obviamente sobre a prisão de Cunhal, em cujo terceiro volume da biografia estou a trabalhar, e que cobre os anos da prisão de 1949 a 1960. João Nogueira escreveu-me comentando os “dois tempos” na base do trabalho sociológico que nos últimos dois anos tem estado a fazer “sobre prisões e encarceramento”. Levanta a seguinte objecção à “dualidade temporal” :

O tempo «dentro» não é «linear» (ou, se quisermos, «linearmente lento»), quando se procura fazer uma «fenomenologia da vida prisional». Com efeito, em boa parte das etnografias prisionais que li até hoje, é notória a existência de diversas fases na percepção da passagem do tempo por parte de reclusos (sobretudo, em reclusos com penas de longa duração). Veja, a título exemplificativo, o que me dizia um ex-recluso condenado a uma pena relativamente extensa (9 anos) em sede de uma «entrevista biográfica» (história de vida/ estória de vida).

Segundo a sua «experiência vivida» afirmava existirem três fases distintas na percepção da passagem do tempo:

"O tempo na cadeia tem três fases. Tem a fase inicial que custa muito... de adaptação. O tempo custa muito a passar. Depois o do meio, passa-se num instante: 'O quê já passaram quatro anos...' Depois no final é a ansiedade, quando se aproxima a saída. Aí o tempo volta a ser muito lento. Mas na fase do meio nem se dá por ela passar. Não se vive, vegeta-se... A entrada custa a aceitar... A adaptação áquele ambiente, os problemas, a vida cá fora, o que se deixou, os crimes, as perspectivas de vida... às vezes pensa-se na evasão. Depois pensamos: 'Isto é uma fase de passagem... vamos lá ver se me aguento cá dentro'. É a parte mais difícil. Depois uma pessoa mentaliza-se... Passa muito rápido. Depois vem a ânsia de viver. A ânsia da liberdade." (Ex-recluso)

Assim, no período inicial, de adaptação à prisão, de assimilação da cultura penitenciária e de internalização dos tempos institucionais, o tempo custa muito a passar ["Você não imagina como é acordar a noite inteira, olhar para o relógio e ver que só passou uma hora, às vezes meia... uma pessoa pode enlouquecer à espera do dia seguinte. É um tempo muito lento... muito lento. E custoso, obviamente." (Ex-recluso).

Na fase que se segue, pontifica o sentimento do tempo parado e inerte, onde os rituais quotidianos são incorporados e os dias passam sem se dar conta. Na última etapa, regressa o tempo que custa muito a passar, devido à enorme ansiedade provocada pela proximidade da libertação. Ademais, esta percepção do tempo não é universal (e é, na verdade, algo teleológico argumentar que todos os reclusos passam por estas três fases) e muitos reclusos, apresentam diferentes maneiras de experienciar a passagem do tempo. As tempografias da experiência de reclusão são, por conseguinte, muito heterogéneas.

Assim questiono-me porque tentar dar uma noção de imobilidade «lá dentro». Porque não dar uma noção menos linear da evolução da percepção do tempo lá dentro, com as suas flutuações, mutações, hesitações, etc...? Fica a sugestão.”


O meu problema é que lido com o caso individual, não generalizável, de um preso político, altamente motivado, numa cadeia de presos comuns, numa situação de isolamento sui generis, que tem que ser analisado como político, mas também como homem que está preso, sujeito aos efeitos e perversões da vida carcerária. Tento fazê-lo em dois capítulos do livro, um dos quais intitulado provisoriamente “estratégias contra a solidão”. Quando li a literatura sobre o encarceramento e os seus efeitos, era para mim claro que alguns dos efeitos de interiorização do regime prisional aí descritos, alguns inclusive de identificação com a instituição prisional, não se verificavam dada a força de resistência psicológica do preso, fruto da sua personalidade e da motivação política e ideológica. Mas, nem tudo era assim tão simples.

No entanto, mesmo aqui, tive que me defrontar com a diferença entra a situação dos presos políticos numa cadeia onde só há presos políticos (Peniche ou o Tarrafal por exemplo) e em que estes se defendem da institucionalização criando uma “contra-sociedade” na prisão (aulas, estudo em comum, caixa de solidariedade, actividades partidárias, direcção política das actividades, hierarquia própria ), com o caso de Cunhal que permaneceu longos períodos de prisão isolado. Aí não há esse efeito de “contra-sociedade” limitando os efeitos da “instituição total”.

Por último, a percepção do tempo vivido, sendo psicológica é também neste caso, afectada pela importância de uma filosofia individual da acção, impregnada pela história, que corre … cá fora.

19.6.03

AUTORES NEO-REALISTAS

Dois ensaios em linha de Maria do Sameiro Pedro sobre Júlio Graça e José Gomes Ferreira :

“Um Escritor em Alhandra - Apontamentos Sobre a Obra de Júlio Graça”

“José Gomes Ferreira e Os Diários: Real e Mimesis” , apresentado no Encontro Neo-Realismo (Março de 1997) no Painel: Marxismo, Realismo e Representação - Sub-Temas - Real, Realidade e Mimesis. Pluralidade e Individualidade na Expressão: Os Autores, as Obras

18.6.03

INFORMAÇÕES

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HOMENAGEM A ÁLVARO CUNHAL EM SEIA
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A Câmara de Seia vai homenagear Álvaro Cunhal ainda este ano , organizando um colóquio sobre o dirigente comunista que viveu na cidade. Segundo o Porta da Estrela , “o líder histórico do PCP viveu em Seia grande parte da sua juventude, onde seu pai, Avelino Cunhal, era advogado e administrador do concelho no consulado de Sidónio Pais.”

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ESPÓLIO DE LINO PAULO
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No pasado dia 14 de Junho de 2003 foi assinado o protocolo de cedência do espólio de Lino Paulo, antigo vereador da Câmara Municipal de Sintra, desde a Comissão Admnistrativa (1974) ao respectivo Arquivo Histórico Municipal.Trata-se de um espólio rico, maioritariamente composto por panfletos, tarjetas, cartazes, documentos diversos, textos teóricos do PCP, em especial espécimes posteriores ao 25 de Abril - cerca de 5 000. Mas também inclui outros matariais de partidos - PPD/PSD, PS, CDS, MDP, extrema-esquerda - sindicatos e organizações unitárias. Destaque para alguns documentos do PCP do início dos anos 50 e Avantes dos anos 40. Possui uma vasta colecção de cartazes desde 1974, quase 2000. O espólio encontra-se catalogado na quase totalidade.

(Informação enviada por António Ventura)

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COLÓQUIO DO CENTRO DE HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA SOBRE STALINE EM PORTUGAL
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Organizado pelo Centro de História da Universidade de Lisboa da FCT realizar-se-á, nos dias 21 e 22 de Novembro de 2003 um Colóquio sobre a repercussão da figura de Staline em Portugal em diferentes campos . O responsável pela organização do colóquio é o Prof. Doutor António Ventura e nele participarão Fernando Rosas, José Neves, João Madeira, Rui Mário Gonçalves, António Pedro Pita, João Freire e Alberto Vilaça.

A minha intervenção terá o título de “Staline – “Mais que Deus!” (Culto e influência de Staline em Portugal) “

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PINTURA DE AVELINO CUNHAL EXPOSTA EM VILA FRANCA DE XIRA
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Transcrição do Notícias da Amadora , de 15/5/2003 , a seguinte nota de autoria de Maria Luísa Gonçalves :


Realizou-se no dia 8 de Maio a inauguração da exposição de pintura de Avelino Cunhal. Aconteceu, às 19 e 30, na Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira. Mas não só está patente a sua, numa vitrine encontram-se trabalhos escritos no jornal "O Diabo", versos em outros jornais, tal como em S. Mamede, e catálogos de exposições na Galeria Municipal de Estremoz.

António Redol, da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, que conjuntamente com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira organizou a mostra, referiu-se ao artista e à obra de Avelino Cunhal. Pertencendo a uma geração anterior à dos primeiros neo-realistas, veio a aderir ao movimento, dando-lhe "a sua colaboração original". Nascido em Seia, em 1887, Avelino Cunhal faleceu em Lisboa, em 1966.
Eugénia Cunhal, filha do artista, tal como Álvaro Cunhal, disse ter sempre visto o pai desenhar e escrever. Muitos dos seus escritos perderam-se ao longo dos anos. Alguns deles escreveu-os para jornais que já não existem e outros não sabe a quem ele os ofereceu. Tudo o que conseguiu juntar estava ali exposto. Foi breve, mas notava-se que se sentia bem por dar a conhecer aos vindouros quem foi Avelino Cunhal.
Ramiro Marques, em representação de Maria da Luz Rosinha, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, disse ser louvável todos os meios de dar a conhecer os nossos artistas em todas as suas formas. E logo a mostra foi aberta ao público presente, que via com muita atenção as pinturas pintadas a óleo sobre contraplacado, madeira ou tela. A exposição inclui obras desde 1948 (As prostitutas) até 1964 (Duarte).
Eu fiquei presa àquelas caras de várias profissões, que iam de vendedeiras de doces a homens do mar. Esta última temática era a mais vasta, talvez por o autor ter vivido na Costa da Caparica.
Também estão na exposição peças de teatro e romances do autor, o último dos quais "Areias Secas", editado em 1980.

A capa do catálogo é de Maria Luísa Duarte da Silva Santos, filha do escritor Arquimedes da Silva Santos, que também estava acompanhado pela mulher.
Senti-me em casa. Eu sempre passei as férias escolares no Casal de Santo Amaro, no Monte Gordo, e connosco sempre esteve o meu querido companheiro desde criança, o Orlando Gonçalves, que nunca faltava às iniciativas da Câmara e Museu do Neo-Realismo, pois foi amigo de Alves Redol, o autor de livros sobre aquela gente da Beira-Rio e Lezíria.
Teria tanto para contar de tantas coisas passadas em Vila Franca de Xira e Alhandra, por exemplo, o Orlando ter recebido um prémio de conto (Alhandrense), onde tem a assinatura do Alves Redol. A última vez que vi o Alves Redol foi perto da minha casa, numa livraria aqui na Amadora. O tempo passa, eu vou envelhecendo, vendo os meus amigos desaparecer. O meu companheiro também já não está neste mundo desde 1994. Eu tenho feito o possível para estar presente nos eventos em Vila Franca de Xira mas os anos pesam e nem sempre é possível
.”

14.6.03

ACÇÃO REVOLUCIONÁRIA COMUNISTA – ARCO


Organização efémera existente no Porto durante alguns meses de 1971. Na sua fundação tiveram influência as concepções sobre luta armada de Marighela e outros teóricos da guerrilha urbana. Fizeram parte da ARCO José Fernando Soares Moura (estudante universitário) seu verdadeiro impulsionador, Serafim da Fonseca (técnico de tecelagem), Francisco de Abreu Soares (empregado de armazém), José Alberto Alves Rocha Paiva (sem profissão), Carlos Oliveira Magalhães Bastos (servente) e Maria Helena Cunha (estudante de Filosofia). Durante a sua curta vida a ARCO praticamente não desenvolveu qualquer actividade, com excepção de um panfleto intitulado Guerra do Povo! distribuído no 1º de Maio de 1971.
A ARCO foi totalmente desmantelada pela polícia em Maio de 1971, que prendeu quase todos os seus membros e assaltou a casa clandestina mantida pela organização em Espinho. Com o julgamento e a prisâo de cinco membros (com penas entre quatro e vinte e dois meses) a ARCO desapareceu.

Fontes / Bibliografia :

- Guerra do Povo! , s.l. (Porto), s.d. (1971)

- Diário de Lisboa , 26/11/1971

A ARMA DA CRÍTICA


Revista publicada em Alger por Manuel Sertório cujo primeiro (e único?) número saiu em Setembro de 1968. Com o lema de "diálogo para a insurreição anti fascista" e para "a revolução socialista", a revista continha colaboração de Manuel Sertório e de Manuel Alegre.
A orientação da revista era eclética, incluindo citações de Lenine , Cunhal e Garaudy e pretendia combater a "extraordinária escassez de uma produção cultural politicamente válida" e de "teoria política" existente na oposição.
Neste número incluem-se duas cartas dirigidas aos embaixadores da Checoslováquia e da URSS em Argel por Manuel Sertório na qualidade de "marxista revolucionário" contra a invasão da Checoslováquia.


Bibliografia:

A Arma da Crítica
Nº 1, Setembro 1968
(exemplar com correcções e notas manuscritas de Manuel Sertório no Arquivo JPP)

NOTAS BIOGRÁFICAS

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Belmiro dos Santos Alves
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(Peniche , 17/12/1940 – 21/4/2003 )

Começou a trabalhar aos 11 anos como “aprendiz de atador” e aos 16 tirou a cédula marítima . Foi pescador de sardinha na Traineira Amélia Maria . Desde antes do 25 de Abril distinguiu-se pela luta “por melhores condições de vida dos Homens do Mar ” . Era militante do PCP .
A sua acção levou-o depois do 25 de Abril à fundação do Sindicato dos Pescadores de Peniche, de cuja Comissão Pró-Sindicato fez parte . Foi várias vezes Presidente do Sindicato e Delegado dos Pescadores na Caixa de Previdência dos Profissionais da Pesca, até 1992, e coordenador da Federação dos Sindicatos do Sector da Pesca. (1980-1996) e membro do Conselho Pedagógico do Forpescas. Representou no Secretariado Nacional da CGTP o sector das pescas ,
Num louvor da Câmara Municipal de Peniche atribui-se á sua acção sindical uma

longa lista de conquistas laborais alcançadas, em prol dos Trabalhadores da Pesca, refere-se, entre outras, a redução da idade de acesso à reforma dos pescadores por velhice para os 55 anos de idade, tendo participação decisiva na proposta do projecto de Decreto-Lei 40/86, que regulamenta a contagem de todos os anos efectivos de trabalho como anos contributivos, assegurando-se, assim, um aumento significativo das reformas dos pescadores.
- Reivindicou e impulsionou a aprovação de um Regime Jurídico aplicável aos trabalhadores da pesca, devido a não ser aplicável a Lei Geral de Trabalho ao sector, tarefa a que dedicou largos anos da sua actividade sindical, vendo finalmente concretizar-se tal projecto em Maio/97
.”

Era membro da CC do PCP em Peniche e da Comissão Nacional de Pescas junto do Comité Central. Representou o PCP na Assembleia Municipal e como vereador na Câmara de Peniche .

Fontes :

Necrologia no Avante ! , . 30-4-2003

Louvor da Câmara Municipal de Peniche

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António Maria Candeias
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(Grândola , 1935 – 19/3/2003)

Empregado dos Caminhos de Ferro, “desde muito novo participou em actividades do Partido ". Trabalhou posteriormente no Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, em Lisboa, e foi delegado sindical do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio.
Reformado em 1994 militava na Organização da Freguesia do Alto de Seixalinho .

Fontes : Avante ! , 30-4-2003

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José Manuel Martins Palminha
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(1940-21/4/2003)

Militante do PCP desde os anos 60 activo no movimento estudantil . Médico pediatra , autor de trabalhos premiados pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, publicou com Eugénia Monteiro Carrilho, o primeiro tratado sobre pediatria geral e neonatologia escrito em Portugal. Em 1992 ganhou o prémio Bienal de Medicina. A sua tese de 1997 intitulava-se : Contribuição para o estudo de alguns marcadores bioquímicos na asfixia perinatal do recém nascido de termo
Director do serviço de pediatria do Hospital de São Francisco Xavier . Foi professor na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e pertenceu a Comissão Nacional de Saúde Materno--Infantil.

Como pediatra foi sempre solidário no acompanhamento dos filhos dos funcionários do Partido” .

Fontes : Avante ! , 30-4-2003

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Adrião Martins Roxo
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(1915-17/3/2003)

Operário da CNE , militante do PCP de Moscavide desde a década de quarenta . Preso em Junho de 1954 , numa distribuição do Avante ! , “tendo sido então a sua casa assaltada e a sua família molestada” .
Após a prisão perdeu o seu emprego na CNE , passando a trabalhar na Parry & Son , onde continuou a sua militância partidária .

Fontes :

Necrologia no Avante ! , 3-4-2003

CR Arredores de Lisboa do PCP, Povo de Moscavide e de Sacavém!, Julho 1954

PIDE, Autos de Perguntas a Adrião Martins Roxo , Lisboa , 14 Junho - 12 Julho 1954 ( ANTT - PIDE , PC 122/54 )

8.6.03

MOVIMENTO COMUNISTA INTERNACIONAL - MEIR VILNER


Uma breve biografia de Meir Vilner encontra-se no jornal Haaretz . Vilner foi um dirigente histórico do PC de Israel , e era o último sobrevivente dos signatários da Declaração de Independência de Israel .

7.6.03

GRUPO DE ESTUDOS MARXISTAS LENINISTAS MAOISTAS (GEMLM)


Grupo de estudantes (predominantemente liceais) e empregados maoistas existente no Porto e em V. N. Gaia desde fins de 1972. Fundado por iniciativa de Jorge Gonçalves e Jorge Lage pretendia ser uma resposta a um sector "praticista" do movimento associativo dos liceus do Porto (ligado a Jaime Reininho). Fizeram parte do GEMLM cerca de 13 elementos quase todos activos no movimento associativo (entre outros Mário Dias, Carlos "engenheiro" (empregado do Café Embaixador), Rui Guimarães, Rui Lage, Vitor Maia, Otília Pereira, Alvaro? (de Leça), Carmo ?, António César Sá e Berta Spínola), que se reuniam periodicamente para realizar discussões políticas e editar panfletos. Berta Spínola viria a ser mais tarde afastada do grupo. Tratava-se de um grupo que nâo tinha laços orgânicos estruturados, voltado para o desenvolvimento individual dos seus membros. Tinha no entanto um "núcleo coordenador" constituído por Mário Dias, Jorge Lage e Otília.

O GEMLM existiu desde meados de 1973 até ao período imediatamente posterior ao 25 de Abril. Realizavam um programa de leituras interno que incluiu entre outros o livro de Maria Antonieta Machiochi, De la Chine. Embora um dos objectivos do grupo fosse ler e estudar a imprensa marxista-leninista, em particular das organizaçôes entâo existentes, mantendo a sua independência orgânica, a influência política dominante era do PCP(M-L) e os seus estatutos internos eram adaptados desse partido. Em consequência quando da divisâo do PCP(M-L) em duas organizações rivais em vésperas do 25 de Abril, os membros do GEMLM dividiram-se também entre si.
O GEMLM publicou um jornal com tiragem de 50 exemplares, Camarada, e vários documentos internas e targetas com tiragens que oscilavam entre 15 e 100 exemplares .

Fontes / Bibliografia:

- Depoimento de Mário Dias

- Caderno manuscrito com resumos de reuniôes do GEMLM , 1973 (Arquivo pessoal de JPP)

- Màrio Dias, Carta de demissâo do GEMLM , 1974 (Arquivo pessoal de JPP)

- Documentos internos do GEMLM (Arquivo pessoal de JPP)

- Camarada,
"Marx - Engels - Lenine - Mao Tsé-tung"
Nº 1, s.d. (1973 ?)



- Anexo: panfletos


(GEMLM), De Novo Acerca do Liberalismo em Geral e no Nosso Trabalho . Texto Interno Para Estudo, s.l., s.d. (1973)

(GEMLM), Acerca do Liberalismo e da Crítica. Autocrítica em Geral e no Nosso Trabalho, s.l. , s.d. (1973)

(GEMLM), Cada Vez Mais a Sua Face, s.l. s.d. (1973)

(GEMLM), Autocrítica, s.l. s.d. (1973)

(GEMLM), Viva a Independência da República da Guiné Bissau, s.l. s.d. (1973)

(GEMLM), Texto Interno, s.l., s.d. (1973)


ALGUNS TEXTOS DOS "CURSOS LIVRES" NO ISCEF


Os “cursos livres” foram um momento decisivo de renovação do movimento estudantil no início da década de 1970 . Tratava-se de iniciativas ou das Associações de Estudantes , neste caso da AEISCEF , ou de grupos de estudantes com forte motivação política que pretendiam combater a hegemonia tradicional do PCP nos meios estudantis . Publicando textos e documentos sobre questões de actualidade , traduzidos de publicações marxistas estrangeiras , forneceram a muitos estudantes um acesso actualizado aos debates políticos que se realizavam fora de Portugal e de que a censura impedia o conhecimento .
Por outro lado , ao confrontarem os professores com “cursos” alternativos , aceleravam a radicalização política dos estudantes , acentuando as deficiências de formação pedagógica ou a denúncia dos compromissos políticos do corpo docente . Este objectivo encontra-se definido desde o início no “curso lvre” para a cadeira de TE – II :

"Não se trata de substituir "fisicamente" o prof. Labisa e Matioli por professores tecnicamente mais competentes, pedagogicamente mais "sabidos", mais ou menos autoritários; trata-se e É AÍ QUE RESIDE TODA A IMPORTÂNCIA do Curso Livre, de lançar embriões de discussão de base, onde, e através dos quais as pessoas sintam a "sua" alternativa, possibilitando aos grupos de trabalho experimentarem forças perante a investigação crítica dos fenómenos sociais, doseando intervenções no curso por parte dos grupos que mais afincadamente tenham estudado certos pontos da matéria, tornando desta maneira o curso livre uma experiência verdadeiramente colectiva e empreendedora" ("Uma explicação", Curso Livre do TE - Texto de Apoio nº1)


BIBLIOGRAFIA

Faltam algumas referências na bibliografia , identificadas pela numeração , que é no entanto bastante caótica e pouco fiável .


Texto de Apoio Nº1 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº2 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº3 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº5 . Curso Livre de TE II. As Crises São ou Não Inerentes ao Modo de Produção Capitalista ? s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº6 . Curso Livre de TE II. Maurice Dobb "Capitalismo Ontem e Hoje . Cap. V Crises Económicas s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº7 . John Eaton , "Marx Contra Keynes "(Excertos) Continuação do Texto de Apoio nº 3 .Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº8 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº9 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 1 . A Importância Actual da Africa Negra. Apoio ao Ponto 1.1 A Questão da Africa Austral s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 2 : Interesses Ligados aos Territórios Africanos (Ponto1.1.A Questão da Africa Austral s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 3 . Os Custos da Guerra . Apoio ao Ponto 1.1.: A Questão da Africa Austral s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 4 . A Redestribuição das Cartas ... Apoio ao Ponto 1.1. A Questão da Africa Austral s.l. s.d. (1972)

Apoio ao Ponto 2 . Reforma e Repressão. Porquê a Intervenção Policial. Caderno 5. 1.Os Aparelhos Ideológicos de Estado 2. Aparelhos Escolares e Luta d s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 8 . O Estado , o Trabalho eos Sindicatos . Apoio ao Ponto 2.4 s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 9 . O Significado da "Liberalização Sindical" Os Seus Limites Um Caso Concreto:o Caso dos Me s.l. s.d. (1972)

Afrique Libre . Tradução Resumida de Algumas Intervenções s.l. s.d. (1972?3?)

Texto de Apoio Nº1 . Para Conhecimento de Angola e Brasil s.l. s.d. (1972?3?)

MATERIAIS DE TRABALHO EM CURSO - TODOS OS ELEMENTOS COMLEMENTARES SERÃO BENVINDOS

COMBATE OPERÁRIO

Grupo de trotsquistas portugueses exilados em França que incluía J. Cândido de Azevedo , Ferreira Fernandes , Fernando Baptista . Teriam tido origem numa cisão da organização da FPLN em Paris .
Organizam-se na Ligue Communiste a partir de 1972 (?) . Aí colaboram na edição e tradução de panfletos da Ligue para português e , a partir de finais de 1972 , iniciam uma actividade autónoma entrando em contacto com a FPLN (com Manuel Sertório) e com o grupo em Portugal que vai estar na origem da LCI. Em Abril de 1973 , iniciam a publicação de Combate Operário , editado como suplemento de Rouge , com uma tiragem de 500 exemplares .
Os contactos com o interior sâo irregulares, mas mantem-se sempre uma colaboração política com a LCI (através de Louça e Cabral Fernandes) , com publicação mútua de textos nos jornais do interior e no Combate Operário .
Em colaboração com as estruturas do Secretariado Unificado da IV Internacional (em particular com a Comissão Africa e a Comissão Portugal) participam nas actividades anticoloniais e na edição de boletins para os trabalhadores emigrantes ( Citroen Vermelho / Citroen Rouge ). Os trotsquistas portugueses participam activamente no processo de manifestações a pretexto das leis sobre a emigração que conduziria à interdição da LC e sua transformação em FCR. Nas vésperas do 25 de Abril , o S.U. da IV Internacional salienta a importância do trabalho com a emigração portuguesa, em particular com os refractários e desertores e destaca para o apoiar A. Duret e Stern.
Depois do 25 de Abril fundiu-se com a LCI.


FONTES / BIBLIOGRAFIA

- depoimento de J. Cândido Azevedo
- correspondência de Manuel Sertório


PANFLETOS

- The Bureau of the United Secretariat, From : Bureau of the United Secretariat; To : Comrades responsable for the work toward the portuguese immigration ; Concerns : The situation of the work towards the portuguese immigration , Brussels , 11 de Abril 1974

Trotsky, O Socialismo Num Só País ?, s.l. (Paris ?), Textos Combate Operário , s.d.

- Combate Operário / Ligue Communiste , Meaux Trabalhadores Lutam e Vencem ,s.l., s.d. (1972?)

- Combate Operário , Por um 1º de Maio de Luta , s.l., s.d.,

- Combate Operário , Viva a Luta dos Trabalhadores Portugueses / Vive la Lutte des Travailleurs au Portugal , s.l. (Paris), s.d. (1974)

- Combate Operário / Ligue Communiste Internacionaliste, Trabalhadores, s.l. (Paris), s.d. (1974)

- Combate Operário , Nem Caetano nem Spínola . O Poder aos Trabalhadores / Ni Caetano Ni Spinola . Le Pouvoir aux Travailleurs , s.l. , s.d. (1974)

- Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire , Os Revolucionários Face à Situação Política em Portugal / Les Revolutionnaires Face à la Situation Politique au Portugal , s.l. , s.d. (Junho 1974)

- Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire , Onde Vai Portugal , s.l. (Paris), Junho 1974

"Combate Operário" /Ligue Communiste (Secção francesa da IV Internacional), Pelos Nossos Direitos Sindicais e Políticos. Contra os Acordos da Emigraçâo. Contra a Circular Fontanet. Trabalhadores Uni vos ! , Paris, Supplement à Rouge, s.d. (1972)

- Combate Operário , Por um lº de Maio de Luta , s.l.(Paris) , s.d.

- Combate Operário , Nem Caetano, Nem Spinola. O Poder aos Trabalhadores./ Ni Caetano, Ni Spinola. Le Pouvoir aux Travailleurs ,s.l. (Paris), s.d.(1974

- Combate Operário , Viva a Luta dos Trabalhadores Portugueses / Vive la lutte des travailleurs portugais ,s.l. (Paris) , s.d. (1974)

- (Combate Operário), O Programa do PCP á Luz do Marxismo Revolucionário , s.l. (Paris), Combate Operário nº 4 , Janeiro de 1973

- (Combate Operário), Os Herdeiros de Staline ; A Propósito de um Artigo de "O Comunista" sobre Trotsky ,s.l. (Paris) ,Textos Combate Operário nº 1 , 3 de Agosto de 1972

- (Combate Operário), Socialismo num Só País ou Internacionalismo Proletário ? , s.l. (Paris),Textos Combate Operário nº 2 ,s.d.

- Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire, Os Revolucionários Face à Situação Política em Portugal/ Les Revolutionnaires Français ... ,s.l. , , s.d. (Junho 1974)

- (Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire), Onde vai Portugal, s.l., , Junho 1974

- Combate Operário / Liga Comunista Internacionalista, Trabalhadores, s.l. (Paris), s.d. (1974)

- Combate Operário / Ligue Communiste , Meaux Trabalhadores Lutam e Vencem , s.l. (Paris) , s.d. (1972 ?)

- "Combate Operário" /Ligue Communiste (Secção francesa da IV Internacional), Pelos Nossos Direitos Sindicais e Políticos. Contra os Acordos da Emigração. Con ..., Paris, Supplement à Rouge, s.d. (1972)

- Liga Comunista Internacionalista,Teses e Resoluções Aprovadas pela Conferência dos Marxistas Revolucionários Portugueses , Paris , Supplément à la Revue Quatriéme Internationale, (1973) - editado em França pelo Combate Operário


JORNAIS

- Combate Operário, 1, Abril 1973; 2, Setembro 1973 ; 3,Fevereiro 1974; // ; 4, 1/5/1974 ; 5, 1/6/1974 ; 6, Novembro 1974; 7, Março 1975

- Citroen Rouge / Citroen Vermelho , Junho 1973


MATERIAIS DE TRABALHO EM CURSO - TODOS OS ELEMENTOS COMPLEMENTARES SÃO BENVINDOS


NOTÍCIAS – INFORMAÇÕES


1. «Espionagem , patriotismo e historiografia do PC EUA “ Está em curso um intenso debate sobre este tema na lista de discussão sobre a história do PC EUA que John Earl Haynes modera .

2.O maior repositório de textos marxistas em linha ( e leninistas , maoistas , trotsquistas , e todas as variantes imagináveis da tradição socialista e comunista ) , muitos dos quais nas línguas originais , encontra-se no Marxists Internet Archive , um instrumento de trabalho fundamental .

3.Saiu recentemente o livro de Bernhard H. Bayerlein, Mikhail Narinski, Brigitte Studer, Serge Wolikow: Moscou-Paris-Berlin 1939-1941. Télégrammes chiffrés du Komintern , Paris, Tallandier, 2003. Trata-se de uma obra essencial para o estudo do período 1939-1941 , reproduzindo os telegramas cifrados enviados pelo Comintern aos diferentes partidos comunistas europeus . O carácter periférico do PCP verifica-se na completa ausência de material que lhe diga respeito , sendo as referências a Portugal apenas circunstanciais .
Os originais encontram-se nos arquivos russos ( no RGASPI - Rossiiskii gosudarstvennyi arkhiv sotsialnoi i politicheskoi istorii ) e estão hoje inacessíveis . Estas séries complementam outras , nomeadamente as intercepções inglesas conhecidas como “Mask” (1934-1937) e as americanas “Venona” . (1939-1957) . No seu conjunto dão-nos uma visão da extensão das actividades clandestinas conduzidas pelo Comintern , pelos partidos comunistas nacionais e pelos aparelhos dos serviços de informação soviéticos .

4.6.03

NOTAS BIOGRÁFICAS

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Bento de Jesus Caraça
Humberto Delgado
António de Barros Machado